quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mauá

Já se vão 35 anos da minha primeira ida a Visconde de Mauá. Refúgio de alternativos nos anos 70, a região dos vilarejos de Maringá, Maromba, Santa Clara, dentre outros, era o point. Para lá, íam bandos a qualquer hora do dia ou da noite. Por várias vezes, já muito tarde, acordamos Dona Antônia para que nos recebesse em sua pensão no largo da Maromba.
Andar a pé com os amigos em busca de cachoeiras distantes, colhendo framboezas silvestres e parando aqui e ali, em casa de locais para um cafézinho com queijo minas fresquinho, era o barato!
Nas noites sem lua, as estrelas e vagalumes davam show e a galera se reunia no boteco da Tia Sofia em Maringá para uma degustação sem parcimônia da cachacinha local, isto é, encher a cara de capelinha com mel e rir e conversar até o estabelecimento fechar. Não era difícil grupos diferentes se encontrarem casualmente lá no Tia Sofia e combinarem os passeios dos dias seguintes, era muito legal!
Nas férias de 1979 uma amiga alugou uma casa em Maringá. Inicialmente éramos seis ou sete, mas a ocupação flutuava entre dez e quinze pessoas. Lembro-me que certa vez todos já dormiam e a chuva castigava o telhado, quando lá fora, alguém gritou:
- Paulaaaa!
- Quem é? Respondi.
- Fiquei sabendo lá no Tia Sofia que a Paula alugou uma casa e pode me deixar dormir aqui.
A Paula abriu a porta e recebeu o cara. Ele agradeceu, esticou seu saco de dormir, deitou e passou a conversar conosco. É bom que se diga que o quarto, isto é a casa da Paulinha era um espaço de uns 30m2, sem luz, com um banheiro e uma pequena cozinha no fundo. Dormíamos todos no chão e de manhã, aos primeiros acordes de Stairway to haven do violão do Davi, levantávamos para outro dia de ócio e contemplação. Férias maravilhosas!