sábado, 12 de novembro de 2011

Academia do Sílvio

Foi o Geraldo, pai de um de nossos amigos,  na praia, quem me apresentou ao Sílvio.
- Ô Sílvio! Este magrela aqui é o Varal, amigo do Marcos, meu filho. Vê se dá um jeito nêle.
A academia ficava na 13 de Maio, quase esquina com a Avenida Chile, no Centro. Para nós, um endereço distante da nossa fronteira final, o túnel novo.
Fomos visitar as instalações e ficamos bem impressionados com as duas salas, banheiro, sauna e os aparelhos distribuidos em uns 70 metros quadrados. Um aperto para os padrões de hoje mas o que queríamos mesmo era nos livrar de nossos corpos magros. 
Mamãe dizia que eu era magro de ruim e eu queria provar para ela que se malhasse mesmo ia ficar bom. Argumento importante para ela negociar o orçamento com papai.
Enquadrando o sacrifício financeiro ao fundo de assistência à saúde e educação, o velho autorizou a verba e logo comecei a frequentar a academia com alguns amigos.
Aos poucos fomos conhecendo o pessoal: Henricão, Maurição, Nilão, Paulão... A turma era indigesta. Havia uma geladeira aonde o Silvão colocava ovos cozidos coloridos e geléia de mocotó para vender. 
O resultado das séries movidas a ovos coloridos e mocotó não tardou a aparecer e eu estava muito animado com os cinco quilos ganhos em poucos meses de maromba.
Um dia, fui para o supino e coloquei mais peso que o habitual.
O negócio era aumentar!
Ao erguer... Travei! Nem prá cima, nem prá baixo!
Não sabia o que fazer.
Os dentes trincaram.
As forças se esvaiam...
Só os olhos movimentavam.
Não conseguia me lembrar do nome de ninguém na sala.
Branco total!
A situação era insustentável.
Já no fim das forças, num relance, balbuciei:
- ÃÃÃÃO!
Ufa!
Graças a Deus!
Um GENÉRICO veio me ajudar e me salvou. 
Grande Sílvio e sua academia!